Um dos fatores que move o sistema patriarcal
Estou lendo o livro Tantra, o Culto da Feminilidade – Outra visão da vida e do Sexo, de André Van Lysebeth.
Há inúmeras passagens a serem destacadas. Como não tenho nem tempo para destacar e copiar todas por aqui e, por outro lado, isso não fosse nem justo com o detentor dos direitos autorais do livro, mostro pra você apenas um dos muitos trechos interessantes deste livro.
Como você deve saber, há muito tempo vivemos em uma sociedades patriarcais, mais ou menos opressoras dependendo da sociedade. Isso condiciona inclusive o nosso comportamento econômico e a questão da propriedade (de bens materiais e de pessoas! sim, até hoje mesmo que inconscientemente achamos que somos donos de pessoas).
É fácil e indiscutível saber quem é a mãe; quanto ao pai, é bem diferente! Em regime patriarcal, a linhagem se dá de pai para filho, os bens vão para o filho primogênito. Em regime matriarcal não é assim. Segundo Alain Daniélou: “O sistema matriarcal, em que toda a propriedade familiar pertence à mulher ou é a filha que herda da mãe, é ainda hoje o sistema praticado em Querala, no sul da Índia. Até entre as famílias reais, o trono passa de mãe para filha, e o rei é apenas o consorte. Essa prática é considerada o único modo eficaz de assegurar a transmissão do sangue real. Conforme um antigo ditado indiano: “Quando um pai diz meu filho, isso é fé; quando uma mãe diz isso, é conhecimento”; ora as instituições sociais devem repousar sobre certezas e não sobre crenças”.
Em um regime patriarcal, em que a linhagem se dá de pai para filho e os bens vão ao primogênito, o que é preciso fazer para que o papai-talvez se torne o papai-certeza? É lógico: o homem deve se apropriar da mulher e de seu sexo, encarcerá-la fisicamente – por exemplo, num harém – e socialmente, numa rede de regras e de obrigações, com castigos dissuasivos em caso de adultério e imposição da virgindade até o casamento.
Às vezes me pergunto como seria a economia mundial se o sistema fosse matriarcal. Mas é claro que isso abarcaria mudanças em sistemas e visões de mundo muito mais abrangentes que apenas a economia.
Mudando levemente de assunto.
Você já se perguntou por que se costuma dizer que a pessoa adquire patrimônio e contrai matrimônio? Um é algo bom e o outro é uma espécie de doença, fardo ou necessariedade congênita?
As palavras descrevem o universo como o vemos.
1 comentário
Muito interessante
Quero, ler mais, preciso.
Parabéns!
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