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Tudo o que você nunca quis saber sobre Yôga e jamais teve a intenção de perguntar

Tudo o que você nunca quis saber sobre Yôga e jamais teve a intenção de perguntar é o peculiar nome de um dos livros do professor DeRose.

Ele foi escrito em forma de perguntas e respostas e, de fato, muitas das perguntas são aquelas que as pessoas não fazem, dão como respondidas, acabando por propagar preconceitos e noções equivocadas sobre o Yôga.

Encontramos na introdução:

Yôga é muito diferente da imagem ingênua que a opinião pública gerou para ele. Este livro vai procurar esclarecer e informar tudo nos seus mínimos detalhes.

A primeira questão respondida por DeRose é:

1. O que é o Yôga?
Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.

Esta é a definição que propus em vários congressos internacionais e que, afortunadamente, tornou-se uma das mais aceitas por todos os tipos de Yôga, os quais consideraram-na a única que abarca as propostas de todos.

Samádhi é o estado de hiperconsciência que só pode ser desenvolvido pelo Yôga. Samádhi está muito além da meditação. Para conquistar esse nível de megalucidez, é necessário operar uma série de metamorfoses na estrutura biológica do praticante. Isso requer tempo e saúde. Então, o próprio Yôga, em suas etapas preliminares, providencia um acréscimo de saúde para que o indivíduo suporte o empuxo evolutivo que ocorrerá durante a jornada; e provê também o tempo necessário, ampliando a expectativa de vida, a fim de que o yôgin consiga, em vida, atingir sua meta.

Os efeitos sobre os órgãos internos, sistema nervoso e endócrino, flexibilidade, fortalecimento, aumento de vitalidade e administração do stress fazem-se sentir muito rapidamente. Mas para despertar a energia chamada kundaliní, desenvolver as paranormalidades e atingir o samádhi, precisa-se do investimento de muitos anos com dedicação intensiva.

Por isso, a maioria dos praticantes não se interessa pela meta da coisa em si (kundaliní e samádhi). Em vez disso, satisfaz-se com os fortes e rápidos efeitos sobre o organismo e a saúde.

O Yôga ensina, por exemplo, como respirar melhor, como relaxar, como concentrar-se, como trabalhar músculos, arti-culações, nervos, glândulas endócrinas, órgãos internos, etc. através de técnicas corporais belíssimas, fortes, porém que respeitam o ritmo biológico do praticante. A prática com-pleta do SwáSthya Yôga compreende oito tipos de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama) que vão atuar em oito áreas distintas, promo-vendo um aperfeiçoamento multilateral.

Se você quer saber mais sobre o Yôga ou tem um amigo que gostaria de saber mais sobre isso, sob a perspectiva de alguém com autoridade sobre o tema, recomendo que compre o livro em sua edição de bolso facilmente encontrável em qualquer livraria ou utilize o link para baixar a obra de graça.

23/10/2008   1 comentário

Tempo e vida

O tempo sempre foi para mim algo muito intrigante. Pergunte a qualquer pessoa se ela sabe o que é o tempo, e obviamente receberá uma resposta positiva. Mas peça a ela para explicar: o que é o tempo? Eu diria que poucas pessoas no mundo seriam capazes de dar uma resposta convincente. Apenas achamos que sabemos, pelo fato de algumas coisas virem antes, outras depois, vai se formando uma seqüência infinita de eventos que está ordenada de uma forma bem definida, numa reta que chamamos tempo.

Seqüência imaginária de eventos ordenada no tempo

Isso nos dá uma noção, mas não responde a pergunta. E pior, ainda abre outras questões: Por que o tempo passa? Por que o tempo corre só num sentido?¹ A única parte da ciência que trata destas questões chama-se Termodinâmica. De uma forma simplificada, a 2ª Lei da Termodinâmica, que nos interessa mais, diz o seguinte:

As coisas tendem a transitar de um estado mais organizado para um estado menos organizado.

Por exemplo, uma xícara intacta pode transformar-se em cacos de cerâmica de muitas formas diferentes, entretanto cacos de cerâmica não vão se transformar numa xícara inteira. Ou ainda, imagine um chocolate quente. Ele tende naturalmente a esfriar, jamais a ficar mais quente. Ou seja, as coisas na natureza tem um sentido preferencial para acontecer. Se algo é mais organizado (complexo), sua tendência é desorganizar. Se algo tem mais energia (quente), a tendência é que esta energia se disperse (esfriar). No início o universo tinha toda sua energia concentrada num só ponto, de temperatura infinita. Depois do big-bang até hoje esta energia está se dissipando, e a temperatura diminuindo. A esta idéia de um desenrolar das coisas num sentido preferencial podemos atribuir nossa percepção de tempo.

Agora vamos introduzir uma idéia nova². Pense num ser vivo como uma estrutura complexa de átomos, que consegue concentrar grande quantidade de energia numa pequena porção de espaço. Lembrando do conceito visto no parágrafo anterior podemos dizer que os seres vivos são anti-naturais, pois não obedecem à 2ª Lei da Termodinâmica. A lei não está errada por isso, no final das contas os vivos vão morrer, e a lei se cumpre. Porém, enquanto vivos, os seres, de uma certa forma, modificam a passagem do tempo, pois não se sujeitam à causalidade normal das coisas inertes.

Seguindo por este caminho, podemos inferir que quanto mais energia um ser concentrar, menos ele estará sujeito às limitações do tempo. Os vegetais tem lá suas vantagens sobre as pedras, mas não são muito proveitosas quando não se pode mover-se (muito) no espaço. Nos animais, principalmente nos mais complexos (mais energia), percebe-se um grande passo sobre as plantas, pois eles podem agir, modificar, estabelecer relações. E da mesma forma o ser humano tem vantagem sobre os animais, já que controla a faculdade de pensar, mentalizar. Se um ser humano conseguir concentrar ainda mais energia que o normal, subiria um grau na nossa escala, conseguindo impor-se um pouco mais frente às leis naturais.

Ordem crescente de concentração de energia

  1. vegetais
  2. animais
  3. ser humano
  4. yôgin

Isto é realmente possível, e uma das formas de fazê-lo (a única que conheço) é através da prática do Yôga. Diversas técnicas dentro desta filosofia visam uma maior concentração e controle das energias biológicas (práná) do praticante. O pránáyáma, por exemplo, é um conjunto de técnicas que tem como objetivo principal expandir a energia biológica através de respiratórios. Outro exemplo é o preceito Brahmachárya, que recomenda a não dissipação de energia de natureza sexual. Esta característica do Yôga, como uma prática que naturalmente amplia a energia do praticante, faz com que o yôgin seja um privilegiado no que diz respeito ao tempo.

As formas com que o Yôga se relaciona com o tempo são assuntos para outros posts, ou quem sabe, de um livro.

Saiba mais:

¹ Tanto na Ciência quanto no Yôga os “por quês” não são muito bem-vindos. As coisas não precisam necessariamente ter um porquê, temos que aprender a aceitar isso. Algumas vezes é considerado grande falta de educação fazer tal incômoda pergunta. Estas duas perguntas com certeza já tiraram o sono de muitos filósofos, porém provavelmente não tem uma resposta exata.

² Por ser nova, talvez lhe pareça um pouco tosca, e por demais inexata. Como não pretendo aqui discutir ciência nem filosofia, mas apenas idéias, ficaria muito feliz de sentar com você num café para conversar sobre esta e outras idéias.

17/10/2008   2 comentários

Técnicas de Yôga Antigo para revitalizar os olhos

A instrutora Natalia Sanmartín publicou em seu blog uma série de técnicas do Yôga Antigo para revitalizar os olhos. Elas chamam-se trátakas e, dentro dessa categoria, ela enfocou seu artigo nos drishtis. Ela é da argentina e o texto está em espanhol:

Naságra drishti: abra bien ambos ojos y dirija la mirada hacia la punta de la nariz. No pestañee. Mantenga el foco fijo en la nariz, resistiendo el reflejo de cerrar los ojos. Si aparece la voluntad de parpadear, simplemente abra más los ojos, proponiéndose mantenerlos así hasta que comiencen a lagrimear. En ese momento el kriyá estará haciendo efecto, limpiando la mucosa ocular.

17/10/2008   Sem comentários

Karma Yôga: todo o mundo está enganado?

O Marco Carvalho escreveu hoje um artigo bem interessante sobre Karma Yôga e como ele é facilmente - e erroneamente - confundido com caridade e afins.

Karma Yôga, como ele nos explica, é o trabalho desinteressado. Na verdade, é um conceito difícil de captar em uma sociedade em que tudo precisa de uma utilidade e uma finalidade.

Mas, finalmente, eu concluo que a maior parte das pessoas confundiu tudo, atualmente.

Em vez de fazer um trabalho desinteressado, abraçam um trabalho desinteressante.

15/10/2008   Sem comentários

Um anga prepara para o outro

Uma prática completa de Yôga Antigo consiste de oito angas ou partes: mudrá, pújá, mantra, pránáyáma,  kriyá, ásana, yôganidrá e samyama.

    Existem várias maneiras de entender este encadeamento.

    Uma delas é não como uma seqüência - em que um item surge para o desaparecimento do anterior -, mas como camadas em que um anga se mantém e é sobreposto pelo seguinte.

    Assim, ao final, o praticante não está fazendo apenas samyama, mas também todos os anteriores, a um só tempo. Na verdade, isso parece um pouco complexo para o iniciante e mesmo para alguns praticantes mais antigos.

    Uma maneira um pouco mais acessível de compreender a prática em oito partes - ou ashtánga sádhana - é apresentada por DeRose no capítulo do Tratado de Yôga em que ele escreve sobre a série protótipo.

    Por exemplo:

    O terceiro e quarto angas são mantra e pránáyáma. Mantra, no ády ashtánga sádhana, têm a função essencial de desobstruir as nádis ou canais por onde o prána, a energia vital, deverá fluir no anga seguinte, pránáyáma. O iniciante costuma chegar com as nádis esclerosadas pelos maus hábitos alimentares e por experimentar emoções pesadas. Se não desobstruir a passagem da energia, pouco proveito terá com a execução dos respiratórios.

    O mesmo se dá com o quinto e sexto angas, kriyá e ásana:

    Novamente, o primeiro limpa para que o segundo atue. O kriyá promove uma purificação dos órgãos internos para que o ásana possa atuar no desenvolvimento dos efeitos que lhes são característicos. Sem a execução prévia dos kriyás, as técnicas corporais ficam com seus benefícios comprometidos. Mesmo com os kriyás, os efeitos dos ásanas permanecem apenas potenciais e não se manifestam em sua plenitude, sem a descontração proporcionada pelo próximo anga.

    Assim, uma das formas de pensar em sua prática é agrupando os angas dois a dois.

    1. mudrá e pújá: aquietamento e identificação para posterior conexão com os arquétipos do Yôga Antigo
    2. mantra e pránáyáma: limpeza das nadís para posterior expansão da bioenergia (que passa pelas nadís)
    3. kriyá e ásana: purificação do corpo físico para posterior realização das técnicas orgânicas
    4. yôganidra e samyama: assimilação e potencialização de todas as técnicas anteriores com a finalidade de posterior ampliação da consciência

    DeRose conclui:

    Depois de alcançar o maior potencial de saúde e energia, graças à execução de sete feixes de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana e yôganidrá), o praticante alcançou acumulativamente a condição ideal para o sucesso na meditação. Por isso, muita gente que tentava meditar sem conseguir grande coisa, ao experimentar o Swásthya Yôga foi surpreendida com uma poderosa eclosão já nas primeiras práticas. Intentar a meditação sem a infra-estrutura dos sete conjuntos de técnicas citados nos parágrafos precedentes, resulta inócuo na maior parte das vezes e, noutros casos, pode resultar em graves distúrbios psíquicos.

    14/10/2008   1 comentário