O que o DeRose Festival 2010, em Florianópolis, diz sobre o Método DeRose
Neste fim de semana participamos, seiscentos praticantes do Método DeRose, do DeRose Festival 2010. Foi em um hotel de Florianópolis, Santa Catarina.
A primeira evidência de que algo diferente acontecia ali, logo que chegamos: um outro evento estava terminando e os hóspedes que o integravam faziam o check out ao mesmo tempo em que deveríamos fazer o check in e, depois de tudo resolvido, ao final da tarde, os funcionários do hotel registraram que nenhum dos que fazia parte do grupo que chegava reclamou sobre nada ou foi protagonista de algum ato que causasse tumulto no ambiente já bastante agitado da recepção.
Não que isso fosse uma atitude passiva. Ao contrário: apenas fomos cuidar das coisas realmente importantes. Quem, depois de uma longa viagem, não conseguiu o quarto a que previamente fizera reserva deixou sua bagagem nos aposentos de algum colega mais afortunado e foi para a abertura do evento.
Ao final da abertura, as coisas já estavam mais fáceis e, graças à atitude conjunta de mais de meio milhar de praticantes (não posso deixar de incluir uma exclamação neste apôsto!), os recepcionistas e gerentes puderam nos atender com atenção e dignidade.
Isso é surpreendente para quem vê de fora, mas só mostra que o Método DeRose não é somente algo que se pratica dentro de uma sala isolada ou um conjunto de conceitos que está unicamente em livros. São as técnicas, das salas de aula, e os conceitos, dos livros, aplicados: colocados à prova em situações reais.
O que alguns julgariam como um milagre – uma multidão abrindo mão temporariamente de seus “direitos de consumidor” para abraçar permanentemente seus Direitos à Humanidade ou a algo além -, é simplesmente a aplicação dessa urdidura de técnicas e conceitos. Um tecido vivo que tornou aquele hotel, naqueles três dias, um epicentro de civilidade superlativa.
Por isso, considero que a melhor maneira de conhecer o Método DeRose é observar como seus praticantes se comportam, como eles são, convivendo com eles. As técnicas são lindas, poderosas, fortes mas constituem apenas um dos aspectos disso tudo. Se você vê apenas isso, está olhando para o dedo que aponta as estrelas. E apenas para uma parte pequena do dedo.
Fiz fotografias durante o festival inteiro e estou quase certo de não ter registrado nenhum rosto que não portasse um sorriso. Cada sorriso, uma onda de choque, transmissora dessa mensagem.
Se fosse possível fazer o caminho de volta, do ponto de onde a mensagem chega para de onde ela partiu, suponho que seria algo similar ao conto A Aproximação a Almotásin, do modo como escrevi há algum tempo, sem publicar, no entanto. Publico agora:
Existe um conto de Jorge Luis Borges chamado A Aproximação a Almotásim. Nele, o escritor argentino fala sobre um livro que conta as aventuras de um estudante que procura um homem chamado Almotásim, como sugere o título da narrativa.
Embora não saiba onde esse ser humano está – ou mesmo se existe -, o homem o procura nos tênues reflexos de coisas boas deixadas naqueles que dele estiveram próximos. E percebe que, quanto mais perto está de seu objetivo, mais fortes – e, portanto, menos tênues – são as evidências daquela proximidade.
Até que, ao final, o encontra.
A maior parte de nós conhece DeRose primeiro dessa forma. Através das pessoas que dele estiveram ou dele estão próximas, fisica e geograficamente e também por compartilhar ideais. Afinal, certos tipos de proximidade não conhecem fronteiras nem no espaço nem no tempo.
Talvez justamente por consideração a todos os amigos que fiz desde então, esses reflexos humanos – não tênues, mas solares -, a primeira vez em que me aproximei pessoalmente do DeRose, alguém com tantas pessoas valorosas e por mim admiradas em torno de si, eu o fiz com certa reserva, a mesma com que nos aproximamos daqueles a quem respeitamos muito.
Assim, a coisa que mais me chamou a atenção nessa ocasião quando cordial e timidamente estendi a mão para cumprimentá-lo: ele imediatamente abriu os braços e um sorriso e disse algo como: “Vem cá!”.
E deu-me um forte abraço como aquele que damos apenas nos velhos camaradas.
Desde então não perco uma oportunidade – permitida pela gentileza e respeito ao espaço alheio – de compartilhar um abraço com um amigo, qualquer que seja, antes mesmo de apertar-lhe a mão.
As coisas mais legais da vida, não poucas vezes, não se transmitem por palavras mas por gestos. Durante o festival recebi muitos abraços, de amigos, de gente que conhecia e até de muitas pessoas que ainda nem conhecia e que certamente virei a conhecer melhor. Todos esses abraços são também portadores dessa mensagem de algo que aspira ir muito além do que hoje já somos.
Tal foi o que me disse o DeRose Festival 2010 sobre o Método DeRose. Disse-me outras coisas mais, mas aí, talvez, eu me alongasse demais para um artigo só.
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Há 7 anos venho estudando, seguindo e praticando o método DeRose, e seguirei assim…
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