Categoria — Filosofia Prática
Patch Adams sobre a palavra “terapia”: rir não é o melhor remédio
Você deve ter assistido aquele filme sobre o médico estadunidense Patch Adams, personagem real interpretado por Robin Williams. Ele é conhecido por defender uma medicina mais humana e, no filme, aparece como um sujeito que tenta curar os pacientes com o riso.
Ele foi um dos entrevistados do programa Roda Viva em 2007. A TV Cultura liberou as transcrições integrais de todas as entrevistas e, na entrevista de Patch Adams, ele fala sobre o termo “terapia”.
Achei muito legal o que ele disse. Por ser ele quem disse e porque tantas vezes o Yôga é confundido com terapia, achei que se aplica a este blog:
Não concordo com “rir é o melhor remédio”. (…) Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, põem essa frase porque o fazem, na realidade, sem pensar. Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra “terapia”, que é pequena para ajudar. A arte não precisa de ajuda da palavra “terapia”. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura.
Yôga, meu amigo, minha amiga, não é terapia. É uma cultura. Leia a íntegra da entrevista com Patch Adams.
Mas gostaria de repetir esta frase:
“Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura.”
17/6/2008 6 comentários
Como aumentar sua permanência nos ásanas
Ásana é a técnica corporal do Yôga. Quando um leigo pensa em Yôga, o que lhe vêm à mente, em geral, é o ásana, pois é a técnica mais visível, mais fotografável.
Segundo o Yôga Sútra, de Patañjali, ásana é toda posição firme e agradável.
No SwáSthya Yôga, não se utiliza repetições de ásanas em uma mesma prática. A ênfase é na permanência.
Quando eu conheci os ásanas, eu tinha vontade de permanecer muito tempo em uma mesma posição, logo de início. Isso pode ser muito frustrante.
Certa vez, procurei ficar 5 minutos em chatuspádásana.

Para um iniciante, pode não ser uma boa idéia. Não que seja impossível. Tal permanência é até razoável. Mas todo avanço deve ser metabolizável.
Assim, embora eu tenha conseguido - mais por ser cabeça dura que por ter uma força de vontade especialmente forte - fiquei dolorido no outro dia.
A minha dica é, caso você queira aumentar sua permanência:
- comece com um tempo em que a permanência seja confortável; esse tempo é 22 segundos? Ótimo. Se aos 23 segundo deixou de ser confortável, então a posição deixou de ser ásana. Para ser ásana é preciso que a posição seja confortável.
- a cada dia aumente um segundo; se esse aumento descaracterizou o conforto, retorne ao tempo anterior. Mas em geral o aumento de um segundo por dia é muito metabolizável.
- mantenha a disciplina; se você executar todos os dias as suas permanências elas serão mais metabolizáveis e assimiláveis do que se você executá-las apenas uma vez por semana
- ao cabo de um ano você terá aumentado sua permanência em 365 segundos.
Com isso, você perceberá que a força de vontade não está em teimar em assumir e manter uma posição que, desse modo, em vez de lhe beneficiar vai agredi-lo. Isso é teimosia.
A força de vontade está em assumir uma posição diariamente e dominá-la aos poucos com disciplina e constância, incorporando-a a seu patrimônio. Disciplina e constância são palavras importantes.
Além disso é essencial você conhecer a regra geral de permanência para os ásanas que está no Tratado de Yôga, do professor DeRose (baixe de graça).
12/6/2008 1 comentário
Mudrá: gesto feito com as mãos
Quando eu era praticante iniciante de SwáSthya Yôga (tá, ainda sou), apesar dos esforços dos bons professores e instrutores que tive, eu demorei a perceber que quando se chegava ao ásana, sexta parte da prática básica, a prática em si já havia começado faz tempo.
Acredito que isso deva ser bem comum. O aluno que começa no Yôga Antigo, às vezes, pode demorar a entender que uma técnica aparentemente simples como um mudrá (gesto magnético, reflexológico e simbólico feitos com as mãos), por exemplo, pode desencadear estados de consciência avançados já nos primeiros minutos de aula.
- O blog da Unidade Alto da XV publicou hoje um artigo sobre mudrá, o primeiro anga, ou parte, do Ády Ashtánga Sádhana
O mudrá, por exemplo nada tem de simples, embora sua execução seja bem fácil na maioria dos casos.
Sua vivência, no entanto, pode ser bem estimulante e até mesmo desafiadora, exigind auto-superação em níveis mais sutis.
Sempre ouço pessoas a dizer: “Conheço tal coisa como a palma da minha mão”. Pode até conhecer bem tal coisa, mas sempre duvido que conheça tão bem a palma da própria mão.
Peça para essa pessoa descrever a palma da mão sem olhar para ela e você vai entender o que estou dizendo.
O mudrá ajuda - entre centenas de outras coisas - a ter mais consciência nas mãos, a conhecer melhor essa importante particularidade anatômica (sem a qual, dizem, o homem não teria evoluído). Isso sem falar nos efeitos psicológicos, orgânicos e magnéticos proporcionados pelos mudrás.
Começando a conhecer você mesmo pelas mãos, talvez um dia você se conheça integralmente.
2/6/2008 Sem comentários
Como respirar melhor
A instrutora Marjorie Meyer, em seu blog, dá algumas dicas para quem quer respirar melhor:
Para quem pratica SwáSthya e aprende como ter mais qualidade de vida, respirar pode se tornar consciente e profundo. Profundo em dois sentidos. Primeiramente, por saber a respirar mais profundamente. Segundo, pois é uma experiência, uma vivência tão profunda, que até faz a conexão entre o inconsciente e tudo que existe escondido debaixo do cobertor da consciência; e, o consciente, e tudo o que está por fora ou achamos que temos total controle.
No SwáSthya Yôga, bem como em outras linhas de Yôga, existem técnicas denominadas pránáyámas. Elas garantem a expansão da bioenergia através de respiratórios.
Além da expansão da bioenergia e da conseqüente dilatação da consciência, essas técnicas têm como efeito colateral um substancial aumento da vitalidade, da disposição, da energia e do bem-estar.
Os pránáyámas são a quarta parte - ou quarto anga - do Ády Ashtánga Sádhana.
Você encontra diversos pránáyámas descritos detalhadamente no livro Faça Yôga Antes Que Você Precise que você pode baixar grátis.
23/5/2008 Sem comentários
O que é meditação?
O Francisco von Hartenthal, do Instrutor de Yôga, publicou um artigo sobre intuição nos negócios e, inevitavelmente o tema meditação veio à baila, pois no Yôga é como se costuma chamar a intuição linear, estado de consciência que se obtém quando se suprime as instabilidades do pensamento.
Amanhã mesmo o instrutor Marco Carvalho certamente vai abordar o tema meditação em sua palestra sobre os quatro primeiros sútras dos Yôga Sútras de Pátañjali.
Mas o que é a meditação?
O termo meditação, por si só, é interessante, pois não é exato para aquilo que deveria designar.
Veja este trecho do livro Meditação, do professor DeRose (faça o download grátis em PDF):
Meditação é uma palavra inconveniente para definir a prática chamada dhyána em sânscrito, já que essa técnica consiste em parar de pensar a fim de permitir que a consciência se expresse através de um canal mais sutil, que está acima da mente, mas o dicionário define meditar como pensar, refletir.
Primeiro, o praticante parou o corpo, sentando-se em uma posição estável, firme e confortável. Sem parar o corpo o próximo passo não é possível. Já tentou regularizar a respiração enquanto dança ou corre?
Depois estabilizou o corpo energético, através da regularização da respiração.
A seguir é a vez das emoções. Sem estabilizar as emoções o próximo passo é impossível. Já tentou pensar com clareza e se concentrar em algo com as emoções agitadas?
Mas, para meditar de fato, o praticante precisa parar o pensamento a fim de que o veículo seguinte se manifeste.
Ele deve colocar a mente sobre determinado objeto sem analisar, criticar ou refletir, apenas se concentrando.
Vejamos o que diz o livro:
Então, resta-nos uma outra designação. O estado de consciência que os britânicos do século XVIII arbitraram chamar de meditation é, na verdade, um tipo de intuição, ou seja, o mecanismo que possuímos para veicular a consciência, o qual está localizado acima do organismo mental. (…) Trata-se de um canal que nos traz o conhecimento por via direta, sem a interferência do intelecto. Foi intuição aquele episódio familiar ou profissional no qual você sabia do fato, embora ninguém lhe tivesse dito, telefonado, escrito, telegrafado ou comunicado por meio racional algum. Simplesmente, você o sabia. Profissionalmente, academicamente, cientificamente, talvez você o tenha deixado passar por não dispor de um respaldo racional, uma documentação, uma pesquisa, uma bibliografia…
E aqui começa um ponto que pode interessar àqueles que, por uma necessidade competitiva de mercado, precisam estar à frente de seus concorrentes ou à frente de seu tempo e poderiam ter inúmeras vantagens de estimular a intuição:
No entanto, se tivesse lançado mão daquele conhecimento intuicional, teria passado à frente da concorrência, teria feito uma grande descoberta científica muito além do seu tempo. Depois, bastaria procurar a documentação adequada, ou as estatísticas necessárias para fundamentar o que você já sabia – fundamentá-lo apenas para que os seus pares não pudessem questionar as suas fontes.
Habitualmente, a intuição é um ponto, sem dimensões. Um flash. O Yôga, através de suas técnicas, pode prolongar esse flash, esse ponto, transformando-a em uma linha e tornando-a uma coisa mais e mais habitual na vida do praticante.
19/5/2008 Sem comentários