A força da gratidão
Um posicionamento de gratidão perante as coisas torna a vida uma experiência ainda melhor. Mais do que pedir, o sujeito deve aprender a agradecer.
Uma das técnicas do Yôga Antigo é o pújá.
Na ády ashtánga sádhana – pratica para iniciantes dividida em oito partes -, o pújá é o segundo anga ou parte.
Antes mesmo de receber os conhecimentos, o praticante agradece ao local da prática, ao seu instrutor, ao mestre do instrutor e ao homem que criou o Yôga, que convencionou-se chamar de Shiva, dentre outros nomes.
No livro A Força da Gratidão, de Sérgio Santos, encontramos o seguinte trecho:
O pújá em si é algo espontâneo, um comportamento inato e instintivo de gratidão, reverência e lealdade. Encontra-se presente no âmago de cada ser humano e remonta a tempos imemoriais de todos os lugares do planeta.
(…)
Para exemplificar, classificamos como pújá: uma criança oferecendo espontaneamente uma maçã à sua professora antes da aula; um estudante homenageando os pais ao concluir a faculdade; um soldado honrando o seu País ao hastear a bandeira; um discípulo reverenciando e defendendo o seu Mestre e a sua linhagem, entre outros. Para ser defignado como pújá, é preciso haver um sentido hierarquicamente ascendente: parte do aluno ao professor, do filho aos pais, do devoto à divindade, do discípulo ao Mestre. Jamais o contrário.
Mais à frente, Sérgio Santos nos diz:
O historiador Miercéa Elíade, em seu livro Yôga, Imortalidade e Liberdade, refere-se ao pújá como uma tradição dravídica e pré-dravídica. O Mestre Shivánanda, em sua obra Tantra Yôga, Náda Yôga, Kriyá Yôga, demonstra que o ato de reverência é genuinamente tântrico. Portanto, ela já existia na Índia há mais de 3.500 anos.
(…)
A força arrebatadora do pújá é universal e está registrada no coração dos seres humanos desde sempre. A nossa presente tendência naturalista significa o regorno do homem contemporâneo às suas origens.
Curioso que, quando fugimos de nossa natureza, nossas tendências mais intrincadas, tendemos a ser menos felizes do que podemos. Um bom motivo para praticar o pújá em todas as suas variedades. Se é que a gratidão, em si, já não é uma boa razão.
Talvez, seja uma boa falar, mais adiante, sobre a ação desinteressada.
1 comentário
Curto muito este livro do Sérgio Santos. E também o Yôga, Sámkhya e Tantra, do mesmo autor.
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