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Tempo e vida

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  • O tempo sempre foi para mim algo muito intrigante. Pergunte a qualquer pessoa se ela sabe o que é o tempo, e obviamente receberá uma resposta positiva. Mas peça a ela para explicar: o que é o tempo? Eu diria que poucas pessoas no mundo seriam capazes de dar uma resposta convincente. Apenas achamos que sabemos, pelo fato de algumas coisas virem antes, outras depois, vai se formando uma seqüência infinita de eventos que está ordenada de uma forma bem definida, numa reta que chamamos tempo.

    Seqüência imaginária de eventos ordenada no tempo

    Isso nos dá uma noção, mas não responde a pergunta. E pior, ainda abre outras questões: Por que o tempo passa? Por que o tempo corre só num sentido?¹ A única parte da ciência que trata destas questões chama-se Termodinâmica. De uma forma simplificada, a 2ª Lei da Termodinâmica, que nos interessa mais, diz o seguinte:

    As coisas tendem a transitar de um estado mais organizado para um estado menos organizado.

    Por exemplo, uma xícara intacta pode transformar-se em cacos de cerâmica de muitas formas diferentes, entretanto cacos de cerâmica não vão se transformar numa xícara inteira. Ou ainda, imagine um chocolate quente. Ele tende naturalmente a esfriar, jamais a ficar mais quente. Ou seja, as coisas na natureza tem um sentido preferencial para acontecer. Se algo é mais organizado (complexo), sua tendência é desorganizar. Se algo tem mais energia (quente), a tendência é que esta energia se disperse (esfriar). No início o universo tinha toda sua energia concentrada num só ponto, de temperatura infinita. Depois do big-bang até hoje esta energia está se dissipando, e a temperatura diminuindo. A esta idéia de um desenrolar das coisas num sentido preferencial podemos atribuir nossa percepção de tempo.

    Agora vamos introduzir uma idéia nova². Pense num ser vivo como uma estrutura complexa de átomos, que consegue concentrar grande quantidade de energia numa pequena porção de espaço. Lembrando do conceito visto no parágrafo anterior podemos dizer que os seres vivos são anti-naturais, pois não obedecem à 2ª Lei da Termodinâmica. A lei não está errada por isso, no final das contas os vivos vão morrer, e a lei se cumpre. Porém, enquanto vivos, os seres, de uma certa forma, modificam a passagem do tempo, pois não se sujeitam à causalidade normal das coisas inertes.

    Seguindo por este caminho, podemos inferir que quanto mais energia um ser concentrar, menos ele estará sujeito às limitações do tempo. Os vegetais tem lá suas vantagens sobre as pedras, mas não são muito proveitosas quando não se pode mover-se (muito) no espaço. Nos animais, principalmente nos mais complexos (mais energia), percebe-se um grande passo sobre as plantas, pois eles podem agir, modificar, estabelecer relações. E da mesma forma o ser humano tem vantagem sobre os animais, já que controla a faculdade de pensar, mentalizar. Se um ser humano conseguir concentrar ainda mais energia que o normal, subiria um grau na nossa escala, conseguindo impor-se um pouco mais frente às leis naturais.

    Ordem crescente de concentração de energia

    1. vegetais
    2. animais
    3. ser humano
    4. yôgin

    Isto é realmente possível, e uma das formas de fazê-lo (a única que conheço) é através da prática do Yôga. Diversas técnicas dentro desta filosofia visam uma maior concentração e controle das energias biológicas (práná) do praticante. O pránáyáma, por exemplo, é um conjunto de técnicas que tem como objetivo principal expandir a energia biológica através de respiratórios. Outro exemplo é o preceito Brahmachárya, que recomenda a não dissipação de energia de natureza sexual. Esta característica do Yôga, como uma prática que naturalmente amplia a energia do praticante, faz com que o yôgin seja um privilegiado no que diz respeito ao tempo.

    As formas com que o Yôga se relaciona com o tempo são assuntos para outros posts, ou quem sabe, de um livro.

    Saiba mais:

    ¹ Tanto na Ciência quanto no Yôga os “por quês” não são muito bem-vindos. As coisas não precisam necessariamente ter um porquê, temos que aprender a aceitar isso. Algumas vezes é considerado grande falta de educação fazer tal incômoda pergunta. Estas duas perguntas com certeza já tiraram o sono de muitos filósofos, porém provavelmente não tem uma resposta exata.

    ² Por ser nova, talvez lhe pareça um pouco tosca, e por demais inexata. Como não pretendo aqui discutir ciência nem filosofia, mas apenas idéias, ficaria muito feliz de sentar com você num café para conversar sobre esta e outras idéias.

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  • 2 comentários

    1 A antiga questão do tempo… | Tudo sobre Yôga em Curitiba { 17/10/2008 às 11:02 am }

    [...] Indicando o escrito do Felipe: Tempo e vida. [...]

    2 yo { 13/11/2008 às 8:17 pm }

    cara gostei muito do artigo, interessante pensar em quanta energia gastamos nem sempre pra melhorar as condições de nossa passgem no tempo!

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