Quando tiver problemas, respire e olhe-os de longe
Quando tiver problemas, respire e olhe-os de longe. Eles parecerão menores - ou em sua real dimensão, caso prefira entender assim.
Alguns conhecimentos - como esse - você pode obter na prática de Yôga, no seu sádhana, ou mesmo com a experiência ou ainda por uma via mais direta. E não adianta falar ou ouvir: certos conhecimentos precisam ser assimilados no corpo (físico e energético), nas emoções e na mente.
Veja o relato que encontrei no livro Atos e Fatos do Sargento Corró, escrito por seu filho, o Terceiro Sargento Robespierre Roberto Galo e Borges:
Em 1954, quando residíamos em Maceió, houve uma época na qual as despesas com viagens e remédios para os filhos abalaram sensivelmente a situação financeira da casa. Pela primeira vez em minha vida, pude notar que meu pai deixava emitir sintomas de sofrimento e preocupações. Mas isto teria muito curta duração. Em um destes dias, chegando em casa à tardinha, embora dominado pela fadiga, trazia no semblante um ar de satisfação demonstrando claramente que encontrara a maneira de sanar as dificuldades do lar. Durante o jantar ele nos disse:
- Amanhã passaremos o dia na Bica de Pedra.
(…)
Para nós foi uma grande surpresa aquelas palavras de meu pai. Realmente a idéia parecia inoportuna. Um piquenique como ele desejava exigia o consumo de uma certa importância no preparo de lanches, no transporte e em outros gastos necessários, e era justamente a economia do lar que ultimamente vinha lhe causando tantos transtornos.
Explicamos a ele este pormenor. Coçou a cabeça, franzindo a testa em gento muito seu. E explicou com sabedoria.
- Nós estamos precisandos de dinheiro? Quem disse isto? É engano de vocês! O dinheiro não é tudo. (…) precisamos, pelo menos por algumas horas, nos isolarmos do resto do mundo, de preocupações, de dissabores e nada melhor do que um piquenique em semelhante ocasião. Amanhã, quando colocarmos os pés para fora desta casa, afastemos da mente qualquer preocupação e passemos um dia inteiro com tranqüilidade, a mente livre de aborrecimentos. Acredito, ouso dizer: tenho certeza que ao voltarmos de lá, se já não soubermos a solução para nossos problemas, pelo menos eles já não nos parecerão tão insolúveis. Acima de tudo isto, viveremos um dia que valerá por anos. Vocês verão minha razão.
No outro dia nós partimos bem cedo para o passeio que não deixava de ser agradável, mas ainda o achamos fora de época. Passamos um dia sem igual: nadamos, corremos, brincamos, completamente esquecidos do resto do mundo e das dificuldades que ele nos apresenta. Ao voltarmos para casa, tudo parecia mais claro e suave aos nossos olhos. Logo a nossa casa tornou a se encher de alegria e tudo transcorreu normalmente.
Às vezes, tudo é uma questão de mudar a perspectiva. Dê um tempo a seus problemas. Eles não precisam de você para continuar a ser problemas, mas você precisa de você para resolvê-los. Mas não importa: nenhum problema merece mais esforço do que o suficiente para solucioná-lo. Desesperar-se e debater-se é desperdício de energia.
O melhor exemplo para isso de que me lembro agora são as situações de afogamento: se você permanece sereno e lúcido, suas chances são maiores. Se se desesperar, a morte é quase certa.
O livro de que tirei este relato faz parte da Biblioteca Livre Pote de Mel, uma biblioteca em que você empresta um livro - sem cadastro, sem burocracia - e devolve quando terminar de ler, sem nenhum tipo de controle.
4 comentários
Olá, Alessandro, achei seu blog outro dia e gostei bastante. O que disse em seu post é perfeito. No meu caso, o difícil é por a teoria em prática, já que sou muito ansiosa. Mas o yôga me ajuda e muito!!! Serei sua leitora assídua. Parabéns.
Fiquei olhando para os meus problemas hoje e achei muita graça deles, tive que me segurar para não rir na cara deles, bobalhões. É a primeira vez que leio o blog fora do googlereader, esse header ficou muito bacana, bjs.
Ela… sua leitura e sua presença são muito bem-vindas. Volte sempre… Beijos do Ale.
Ana Lucia,
que bom que gostou do header… afinal a cabeça ali em cima é a minha… rs. Beijos!
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